sábado, 28 de novembro de 2015

Where the pain starts



"A mente retém as recordações
dolorosas por uma razão:
Para que não voltemos a cometer
os mesmos erros.
Dizem que se regressar de onde
começou essa lembrança
e observar o local...
...pode se libertar da dor
e esquecer."

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

O Andarilho

“Quem alcançou em alguma medida a liberdade da razão, não pode se sentir mais que um andarilho sobre a Terra e não um viajante que se dirige a uma meta final: pois esta não existe. 
Mas ele observará e terá olhos abertos para tudo quanto realmente sucede no mundo; por isso não pode atrelar o coração com muita firmeza a nada em particular; nele deve existir algo de errante, que tenha alegria na mudança e na passagem. 
Sem dúvida esse homem conhecerá noites ruins, em que estará cansado e encontrará fechado o portão da cidade que lhe deveria oferecer repouso; além disso, talvez o deserto, como no Oriente, chegue até o portão, animais de rapina uivem ao longe e também perto, um vento forte se levante, bandidos lhe roubem os animais de carga. 
Sentirá então cair a noite terrível, como um segundo deserto sobre o deserto, e o seu coração se cansará de andar. 




Quando surgir então para ele o sol matinal, ardente como uma divindade da ira, quando para ele se abrir a cidade, verá talvez, nos rostos que nela vivem, ainda mais deserto, sujeira, ilusão, insegurança do que no outro lado do portão e o dia será quase pior do que a noite. 
Isso bem pode acontecer ao andarilho; mas depois virão, como recompensa, as venturosas manhãs de outras paragens e outros dias, quando já no alvorecer verá, na neblina dos montes, os bandos de musas passarem dançando ao seu lado, quando mais tarde, no equilíbrio de sua alma matutina, em quieto passeio entre as árvores, das copas e das folhagens lhe cairão somente coisas boas e claras, presentes daqueles espíritos livres que estão em casa na montanha, na floresta, na solidão, e que, como ele, em sua maneira ora feliz ora meditativa, são andarilhos e filósofos. 
Nascidos dos mistérios da alvorada, eles ponderam como é possível que o dia, entre o décimo e o décimo segundo toque do sino, tenha um semblante assim puro, assim tão luminoso, tão sereno-transfigurado: – eles buscam a filosofia da manhã.”

~ Friedrich Nietzsche, Aforismo 638 do capítulo “O Homem Sozinho Consigo Mesmo”, de “Humano, Demasiado Humano” (1878).


quarta-feira, 11 de novembro de 2015

As janelas do amanhã



Eis que abro as janelas do amanhã
Meus olhos cansados fitam o futuro do meu ontem
A cíclica mesmice de um mundo desprezível

Cortinas são balançadas com
Suaves e doces brisas melancólicas
E mostram lúgubres cenas
De uma realidade infeliz



Existem luzes no fim deste túnel
As mesmas que me impedem de ver o que há no final

Mas estas janelas do amanhã
Deveriam sempre permanecer fechadas
Não existe beleza próxima nem ao longe

12/11/2015