quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Se você não tem direito ao meu fígado, você não tem direito ao meu ventre

Se você não tem direito ao meu fígado, você não tem direito ao meu ventre

Se alguém precisa de um transplante de fígado, medula osséa, ou uma transfusão sanguínea, eles possuem o direito de retirar do seu corpo?

Claro que não. Doar um fígado, medula osséa, ou sangue é uma ação voluntária. Recusar não é crime, e você não irá parar na cadeia.

E se a pessoa morrer se não for permitida a usar o seu corpo? Ainda sim, não.

Contudo quando se trata de gravidez, anti-escolhas acreditam que é diferente. Nesse caso, o corpo de uma mulher não pertence a ela. Mesmo que nós aceitassêmos a premissa de que a vida começa na concepção (o que eu não acredito), a legislação contra aborto não faz sentido. Um feto não tem mais direito ao útero da mulher do que uma pessoa já nascida tem ao seus órgãos ou sangue.

Se o corpo de uma pessoa é necessário para a vida de outra pessoa, isso é uma infelicidade, mas mesmo se todas os indíviduos que estão prestes a morrer precisarem de uma gotinha do seu sangue, eles não tem direito de retirá-lo de você. Você pode ser repreendido por se recusar a ajudar, mas seu corpo é seu, e nós não legislamos contra a integridade do corpo do homem ou mulher, sua carne ou seu sangue. Você não precisa nem mesmo ser um doador de órgãos após a sua a morte (eu sou), apesar de ser estimado que através desse simples ato você pode salvar a vida de cerca de 50 pessoas, o que parece ser uma postura bem pró-vida.

Em casos de operações mais arriscadas, como doar um pedaço do seu fígado ou medula osséa, a maioria irá aplaudir essa doação como um ato altruísta, mas não vão condenar a pessoa que não deseja passar por essa provação - no entanto mulheres que abortam são denunciadas e chamadas de "assassina de bebês" por alguns. O risco de morte ou de problemas de saúde devido ao parto são maiores do que o do (seguro, legal) aborto, e se ela não quer arriscar, é escolha dela.

Se ela não quer deformar o corpo para carregar o feto ou se encarregar de alimentá-lo por nove meses, é o corpo dela. E se ela tiver alguma complicação que coloca a sua saúde sob um risco ainda maior, ela pode optar por esse caminho de auto-defesa.
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Agora vamos considerar o agumento de "punição das vadias". A mulher escolheu fazer sexo, ela criou o feto, então ela tem que dar seu corpo. Bem, isso não funciona bem também. Vamos supor que um pai ou uma mãe tenham um bebê ou uma criança que precisa de um transplante de fígado, ou medula osséa. Ninguém pode forçar o pai a doar um pedaço de seu fígado, ninguém pode forçar a mãe a oferecer sua medula osséa. Mesmo que eles tenham criado aquela criança, isso não significa que ela tenha direito ao corpo deles. Você pode julgá-los, apesar de você não saber quais são as circunstâncias, você pode presumir que eles não tenham uma boa razão, apesar de que eu pensaria que eles sabem a situação deles melhor do que os outros. Mas você simplesmente não pode retirar o direito que eles tem sobre seus corpos.
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Algumas pessoas não consideram o feto como vida. Outros consideram como sendo uma sendo 100% uma vida humana única desde a concepção. E outros acreditam que seja o meio termpo, talvez atribuam a ele o conceito de "vida em potencial". Qualquer que seja a opinão da mulher (e qualquer que seja a sua), o corpo é somente dela e só ela pode controlar. Ponto final.

Um comentário:

  1. Olá, blogueiro (a),
    Salvar vidas por meio da palavra. Isso é possível.
    Participe da Campanha Nacional de Doação de Órgãos. Divulgue a importância do ato de doar. Para ser doador de órgãos, basta conversar com sua família e deixar clara a sua vontade. Não é preciso deixar nada por escrito, em nenhum documento.
    Acesse www.doevida.com.br e saiba mais.
    Para obter material de divulgação, entre em contato com comunicacao@saude.gov.br
    Atenciosamente,
    Ministério da Saúde
    Siga-nos no Twitter: www.twitter.com/minsaude

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